sexta-feira, 1 de novembro de 2019


Devemos destacar, ainda, que o altruísmo era parte integrante da pregação do Senhor Jesus, na verdade constituía-se em uma condição   central e desafiadora para a relação compromissada com Ele. (Mt 16.24, Lc 9.23 e Mc 8.34)  
O Senhor impõe a autonegação,  redirecionando o foco dos seus seguidores para si mesmo, apresentando-se como o centro  de suas vidas, destronando e subjugando o ego com todos os seus reclamos, abrindo-lhes o caminho para o altruísmo.

domingo, 27 de outubro de 2019


a)   Altruísmo, Discipulado e Serviço – Fp.2.20-22

Continuando no reconhecimento de contextos importantes para o dokime – teste, aprovação do caráter, nos deparamos com o texto acima, onde o apóstolo faz considerações relevantes sobre o caráter provado/aprovado de Timóteo, apontando situações apropriadas para esta avaliação.

Altruísmo – Foco no outro

Podemos observar que o apóstolo destaca, primeiramente, uma virtude de caráter de Timóteo: Não tenho ninguém que, como ele, tenha interesse sincero pelo bem-estar de vocês, pois todos buscam os seus próprios interesses e não os de Jesus Cristo.”

Esta afirmação, contundentemente, positiva sobre Timóteo é fruto da visão e constatação efetiva de Paulo, que apoiado numa relação real de proximidade, tal qual de pai e filho, (1Tm 1.2, 18; 2Tm 1.2, 2.1; Fp 2.20b) sublinha a sua virtude altruísta.

Livre da escravidão do egoísmo que tanto limita, bloqueia e apequena o ser, não o permitindo ver, reconhecer e agir a favor do outro, a não ser quando isto lhe traz benefícios, Timóteo pode manifestar o seu altruísmo, abençoando o próprio apóstolo e a igreja de Filipos.  
  
Timóteo estava focado no verdadeiro bem estar da igreja em Filipos. De forma desinteressada, sem a busca de retorno para o seu benefício, prazer ou satisfação pessoal. Ele estava dedicado, focado em identificar, avaliar e agir em prol da igreja, alinhado com interesses do Senhor Jesus.

(continua)

domingo, 20 de outubro de 2019


a)    Obediência nas Relações Interpessoais - 2 Co 2.9
 
A obediência é sempre cara para nós. Somos, naturalmente, desobedientes, inflamados pela vontade própria, soberba e arrogância, relutamos em nos sujeitar e acatar ordens e direcionamentos de terceiros, sobretudo, quando estas ordens e direcionamentos contrariam a nossa vontade ou se opõem ao que pensamos ou sentimos. 
Outrora, manifestávamos um caráter assaz contrário a obediência, resultado da herança maldita de Adão, (Ro 5.19) e insistíamos na nossa teimosia e endurecimento até ao ponto de sermos identificados como filhos da desobediência (Ef 2.2).
Em Cristo, porém, fomos feitos filhos da obediência (1 Pe 1.14) e nela devemos perseverar,  revelando uma faceta do caráter provado/aprovado, que desprovido de arrogância se dobra, espontaneamente, à vontade, ordem e orientação de outrem, especialmente, de Deus e de sua Palavra.
Alinhado com esta nova realidade, o ensino apostólico cimenta de forma sábia e equilibrada a prática da obediência, considerando-a necessária nas relações horizontais, Sujeitem-se uns aos outros no temor de Cristo.” (Ef 5.21) e, sobretudo, na relação vertical, o colégio apostólico, estabelece: É mais importante obedecer a Deus do que aos homens”. (At5.29)



Obediência e vínculos emocionais

No texto de 2 Co. 2.9 o apóstolo Paulo foi muito claro em apontar aos Coríntios que ele pretendia prová-los (dokime) e ver se seriam aprovados em tudo, isto é, na obediência. 
O contexto, segundo alguns estudiosos, é complemento do texto de 1 Co 5, quando o apóstolo exorta e ordena a igreja de Corinto na aplicação de uma ação disciplinar contra um dos seus membros.
 Aqui, notamos que a igreja foi provada, frente a um pecado vexatório e repugnante, sendo exigida sua obediência total a ordem apostólica para, inicialmente, aplicar a correção devida ao infrator, e, posteriormente, perdoá-lo e reconduzí-lo à comunhão da igreja.   
Devemos considerar que a visão paulina, ao apresentar a obediência como matéria de prova, naquele contexto, não foi exagerada por que a sua ordem passaria  pelo crivo de uma complexa rede de relacionamentos – a Igreja, constituída de uma diversidade de visões, juízos e interpretações individuais. Podemos ainda considerar que, certamente,  havia algumas pessoas mais próximas do infrator e outras mais distantes, tornando o primeiro grupo mais suscetível a um vínculo emocional mais forte com o infrator, o que pode ter influenciado, além do que já foi citado, na falta de unanimidade observada pelo apóstolo: A punição que lhe foi imposta pela maioria é suficiente”.(2 Co 2.6)
Percebe-se, então, que a obediência exigida e provada no cenário das relações interpessoais, marcadas por fortes vínculos emocionais, pode ser prejudicada depondo negativamente contra um caráter aprovado.
Por outro lado, o caráter aprovado, nestas circunstâncias, pressupõe a superação de sentimentos e emoções para o cumprimento do desafio da obediência, quando esta de alguma forma interferir numa relação interpessoal fortemente marcada pela proximidade e intimidade.

quinta-feira, 26 de setembro de 2019


E não nos esqueçamos que o Senhor Jesus, foi submetido a tamanha pressão e angústia num lugar bem característico: o Getsêmani, que significa lagar, prensa do azeite, ali a sua alma foi fortemente premida a  ponto da sua transpiração tornar-se como  sangue. E mesmo nesta situação dolorosa Ele continuou a manifestar o seu bendito e reto caráter: intervindo para a proteção dos discípulos, curando um dos inimigos  e entregando-se passivamente aos seus verdugos.  (Mt 26.36-38, Jo 18.8-12, Lc.22.51) Glórias ao Senhor Jesus!!  

domingo, 17 de março de 2019

Caráter Aprovado


4.4.1.5  Caráter Aprovado

O caráter que evidencia nossa identidade ética e moral é, indubitavelmente, materializado pelas nossas palavras, ações e reações nas nossas mais diversas interações sociais: familiar, profissional, eclesial, etc.

Nestas interações sociais vivemos situações diversas e adversas que constantemente desafiam e provam o nosso caráter para avaliar o seu real valor e cooperar para sua depuração. E assim deve ser, para que toda máscara caia e a realidade do ser se manifeste.

No grego temos uma segunda palavra traduzida por caráter, que se aplica diretamente ao título deste tópico: δοκιμη – dokime.

Esta palavra, segundo James Strong, significa:       
        
1) teste, julgamento
2) aprovado, caráter provado
3) prova, um exemplar de valor comprovado

F. Wilbur Gingrich[1], considera δοκιμή, ης, ή  é lit. 'a qualidade de ser aprovado,' daí, caráter Rm 5.4; 2 Co 2.9; Fp 2.22.

Notamos que o Apóstolo Paulo, sob a orientação do Espírito de Deus,  destacou o caráter provado/aprovado em contextos diversos, como:
  
a)    Tribulações: O caráter provado recebe a chancela de aprovado em meio a tribulações que o testa e avalia. Ele é submetido a [2]θλιψις - thlipsis:

1) ato de prensar, imprensar, pressão
2) metáf. opressão, aflição, tribulação, angústia, dilemas.

A thlipsis é o cenário ideal para  forjar o  caráter. Nela  as  circunstâncias   e     as árduas experiências, inclusive nas interações sociais, reclamam por firmeza, persistência, perseverança que fazem emergir o caráter aprovado, valoroso e cheio de esperança. (Rm 5.4)

Por isso, então, o apóstolo a destaca como algo positivo, exortando-nos a gloriarmos nas tribulações cujo fruto se revela num caráter aprovado. 




[1] Léxico do NT Grego/português
[2] Dicionário Bíblico Strong

terça-feira, 5 de março de 2019

4.4.1 - Caráter – O que somos

4.4.1.2 - Etimologia da palavra Caráter

A palavra caráter é originada do grego χαρακτηρ - charakter e ocorre apenas uma vez no Novo Testamento, no texto de Hebreus 1.3.
No original, segundo James Strong[1], ela significa:

1) instrumento usado para esculpir ou gravar
2) marca estampada sobre aquele instrumento ou trabalhado sobre ele
2a) marca ou figura cauterizada (Lv 13.28) ou selada sobre, impressão
2b) expressão exata (imagem) de alguém ou algo, semelhança marcada, reprodução precisa em todos os aspectos, i.e, fac-símile.

4.4.1.3 A palavra charakter em algumas versões da Bíblia em
            português

Nas versões da Bíblia em português, charakter aparece como:
“...expressa imagem da sua pessoa...”  Almeida Corrigida Fiel
“...a expressa imagem do seu Ser...”  Almeida Revisada Imprensa Bíblica
“...a expressão exata do seu ser...”  Nova Versão Internacional
“... a expressa imagem da sua pessoa...” Almeida Revista e Corrigida
Podemos dizer, então, que Jesus Cristo é o charakter, marca, estampa, expressão exata, caráter bendito e irrepreensível do Deus invisível. 

4.4.1.4 Conceito de Caráter

Caráter é aquilo que bem define o que somos, é a nossa marca pessoal, a nossa identidade moral e ética. Enquanto as nossas digitais nos identificam como indivíduos únicos e distintos no aspecto fisiológico, o caráter nos identifica e distingue moral e eticamente. Ele reflete, de fato, os nossos valores, crenças e essência, enfim ele expressa o que somos.



[1] Dicionário Bíblico de Strong 


domingo, 3 de fevereiro de 2019

4.3.3 – A Frutificação Glorifica a Deus

O cerne da razão de ser da frutificação cristã é a glória de Deus. ( Jo 15.8, Fp 1.11, Mt 5.16, 1Pe 2.12)
Os nossos frutos cumprem o seu papel quando induzem os homens a reconhecerem e a glorificarem a Deus.
Isto é perfeitamente justo, pois sem Ele nada podemos fazer, e de fato não há nada de bom em nós mesmos, para podermos produzir bons frutos, mas uma vez enxertados em Cristo, a videira verdadeira, e Nele ligados numa relação de permanente compromisso e pertencimento podemos frutificar para a glória exclusiva do Senhor, o que nos traz grande alegria e contentamento.


4.4 Identificando a Frutificação Cristã


Pelo que já vimos nos tópicos anteriores temos uma noção do que são os frutos que o Agricultor tanto almeja.
Agora, para ampliarmos este entendimento, focaremos de forma mais direta a frutificação cristã, identificando seus frutos e processo gerador.
Esta frutificação, obviamente, consiste na produção de bons frutos,  que devem ser manifestos na integralidade da vida do discípulo: caráter, obras e reprodução ou multiplicação.

Continua...




sábado, 5 de janeiro de 2019


@ LIÇÃO 4 – Frutificação Perseverante

4.1 Introdução

Nesta lição focaremos a frutificação perseverante, último termo do  trinômio: recepção, retenção e frutificação, citado no evangelho de Lucas 8:15, os dois primeiros termos foram vistos,  respectivamente, na segunda e terceira lição do presente volume.
Veremos que a frutificação na vida cristã é tema de grande relevância e é o elemento mais cobiçado pelo Agricultor, ela é a razão de ser da semeadura. (Jo 15.2b, 5, 16, Ro 7.4). 
Notaremos, também, que a frutificação revela a autenticidade e identidade do ser, desenvolvendo-se em decorrência de uma relação efetiva de discipulado em Cristo, visando a glória de Deus. (Jo. 15.8)


4.2 A palavra Fruto na Língua Grega

A palavra fruto no original grego é [1] καρπος  (karpos), ela tem diversas traduções para o português, com conotações distintas que reunimos em dois grupos:

1. Karpos  - Sentido Literal

1a) fruta
1b) fruto das árvores, das vinhas; colheitas
1c) fruto do ventre, da força geratriz de alguém, i.e., sua progênie, sua posteridade.

Segundo Austin[2], benefício (fruta), karpos é usado em seu sentido literal para se referir a frutas, produção, ou descendentes, que descrevem o que é produzido pela energia inerente de um organismo vivo. Karpos é aquilo que é produzido naturalmente. (Mt 7.16, Lc 13.7, Tg 5.7)

2. Karpos - Sentido Metafórico

2a) aquele que se origina ou vem de algo, efeito, resultado
2b) trabalho, ação, obra
2c) vantagem, proveito, utilidade
2d) louvores, que são apresentados a Deus como oferta de agradecimento
2e) recolher frutos (i.e., uma safra colhida) para a vida eterna (como num celeiro) é usado figuradamente daqueles que pelo seu esforço têm almas preparadas para obterem a vida eterna

[3]Figurativamente, karpos é usado como consequência da ação física, mental ou espiritual. No NT, os usos metafóricos, figurativos,  predominam e isto é particularmente verdadeiro nos Evangelhos, onde as ações e palavras humanas são vistas como frutos que crescem a partir do ser ou caráter essencial de uma pessoa. ( Mt 3.10, Mt 7.16-20, Mt 12.33)

4.3 A Importância da Frutificação na vida Cristã
A frutificação na vida cristã é tema de grande relevância, pois aglutina variáveis que vão desde o reconhecimento da autenticidade de sua fonte ( Mt 7.16-20), passando pela afirmação da identidade, até alcançar a sua principal função, a glória de Deus. (Jo. 15.8)

4.3.1 A autenticidade da fonte

A Frutificação autentica, sela, confirma a essência e natureza do ser. 
Apenas os frutos revelam de forma clara e inquestionável a realidade da essência da fonte. (Mt 7.16-20, 12.33) Eles estão diretamente ligados à semente, não podendo negar a sua essência e natureza. Na verdade, de modo geral, o fruto abriga no seu âmago a semente que o originou, revelando uma ligação indissociável, entre eles, que é guardada em todas as fases, da germinação à maturidade.
Por isso, os frutos, por si só, falam tudo a respeito do ser. Cedo ou tarde, os frutos denunciam eventuais manobras enganadoras. Na verdade, eles bradam ou bradarão, a despeito de qualquer subterfúgio aparente e superficial. Eles não dão ou darão sustentação a palavras, aparências, comportamentos ou mesmo status social, fundados na dissimulação e mentira. (Zc 13.4, Mt 7.15, Lc 6.45; 20.45,46)

4.3.2 Afirmação da Identidade

Os frutos podem afirmar a identidade cristã, revelando-nos verdadeiros discípulos (Jo 15.8). Mais do que palavras, liturgias ou rituais, eles expõem a nossa realidade e mostram se de fato estamos numa relação de efetivo discipulado com Cristo.
Os frutos que afirmam esta relação são cultivados num processo de permanente disciplina, limpeza, poda (Jo 15.2).    
 O Agricultor não mede esforços na realização da poda. Objetivando sempre mais frutos, Ele apara os nossos pensamentos, sentimentos, vontade e ações, modelando o nosso caráter conforme o caráter de seu filho, Jesus.
Isto, inicialmente, pode causar dor e tristeza, mas depois gera frutos pacíficos de justiça, na vida daqueles que se submetem ao seu jugo e correção, (Mt 11.29 e Hb 12.5-11)  a ponto de levá-los à identificação com Cristo, que aprendeu a obedecer por aquilo que sofreu. (Hb 5.8)


[1] Léxico Hebraico, Aramaico e Grego de Strong
[2]www.preceptaustin.org
[3] www.preceptaustin.org