@ LIÇÃO 3 – Retendo o Evangelho de Cristo
1. Introdução
Vimos na lição anterior, que a recepção ao
evangelho do Senhor Jesus, envolve uma atitude multifacetada (págs. 5 e 9).
Certamente, esta recepção positiva ao
Evangelho é um início promissor para a construção de uma relação que poderá
evoluir de forma permanente e
compromissada com o Senhor Jesus.
No entanto, ela não é ou não deve ser única e
desconexa. Precisamos nutrir e cultivar
de forma permanente a boa recepção ao Senhor e sua Palavra, no espírito de fé,
voluntariedade, simplicidade, humildade e senso de urgência, visando preservar esta
boa acolhida ao Evangelho do Senhor Jesus.
Para a lição atual o texto base que adotamos
está no evangelho de Lucas 8. 4-15, que relata a parábola do Semeador e nos indica como se processa a
relação: semente (Palavra) e solo (coração humano).
Veremos, então, que o processo iniciado pela boa
acolhida ao Evangelho deve ser seguido pela firme e resoluta retenção da
Palavra que resultará em frutificação perseverante.
2.. A dinâmica da Semente e o Solo
A boa relação
da semente (Palavra) e o solo (coração humano) pode ser sintetizada por uma dinâmica,
composta pelo trinômio: recepção, retenção e frutificação da Palavra. Podemos observar isto pelo texto do verso 15:
“A que caiu
na boa terra são os que, tendo ouvido de bom e reto coração, retêm a palavra;
estes frutificam com perseverança.”
A
dinâmica que é iniciada com uma recepção de qualidade, como vimos na
lição anterior, passa pela retenção da palavra, que é a fase intermediária e fundamental para a germinação
da semente quando, então, eclode a vida latente da Palavra e o seu enraizamento,
para dar sustentação ao seu crescimento à maturidade e a frutificação
perseverante.
Esta dinâmica é cíclica devendo repetir-se a cada Palavra de
Deus semeada ao nosso coração, e não somente no contato inicial com ela. O solo
que abriga (retém) adequadamente a semente, certamente, produzirá seus frutos,
porque a palavra de Deus é viva, eficaz e não
voltará vazia.
. “assim
será a palavra que sair da minha boca: não voltará para mim
vazia, mas fará o que me apraz e prosperará
naquilo para que a desig-
nei.”
Is 55.11
. “Porque
a palavra de Deus é viva, e eficaz, e mais cortante do que qualquer espada de
dois gumes, e penetra até ao ponto de dividir alma e espírito, juntas e
medulas, e é apta para discernir os pensamentos e propósitos do coração.” Hb 4.12
3.
O Processo de Retenção da Palavra
Neste tópico veremos mais atentamente o ensinamento
da retenção da Palavra no velho e novo testamento, destacando o seu significado,
importância e implicação, para entendermos como ela se processa no coração humano.
3.1 A
palavra Reter na Língua Grega
A palavra reter no original grego é [1] κατεχω – katecho,
que
recebe as seguintes traduções para o português:
1) não deixar ir, reter, deter
1a) de partir
1b) conter, impedir ( o curso ou progresso de )
(...)
(...)
1c) manter amarrado, seguro, posse firme de
2) conseguir a posse de, tomar
2b) possuir
Katecho, portanto, significa: reter a Palavra
segurá-la, guardá-la, contê-la, tomar posse (possuí-la), mantê-la amarrada,
atada firmemente a nossas mentes e corações. No entanto, não é sinônimo de
possessão egocêntrica e exclusivista, como pode parecer, mas é sim um indicativo
importante para o processo de
interiorização, assimilação e conformação à Palavra, que passa a ser sua para posterior
divulgação e frutificação.
Obviamente, Katecho procede da vontade e determinação do
ouvinte/leitor, e não está fundada no seu emocional. Katecho, portanto, demanda decisão e foco do ouvinte/leitor para, efetivamente,
reter a Palavra em sua mente e coração.
Isto, evidentemente, vai muito além da simples audição ou leitura
da Palavra, e opõe-se frontalmente ao ditado popular: “Entrou por um ouvido e
saiu pelo outro” que indica uma audição ou leitura descompromissada, marcada
pela falta de atenção e interesse, resultando na completa ausência de
assimilação da mensagem ouvida ou lida.
* continua posteriormente.