domingo, 18 de fevereiro de 2018

2.   Atribuição Funcional – Casa de Deus (v.6)

2.1- Introdução


Na esteira da atribuição relacional temos a atribuição funcional, na primeira encontramos a nossa razão de existir e partilhamos de uma comunhão mutuamente prazerosa com o Criador.

A segunda é uma extensão indissociável daquela e reforça a nossa vocação na parceria com Deus, onde assumimos o papel de cooperadores na grande obra que Ele está realizando, segundo o seu propósito eterno.

Note que esta obra está em marcha desde os primórdios e que ao longo dos tempos Deus tem chamado e capacitado seus servos para contribuírem com os seus dons e ministérios no seu tempo, geração e cultura.   No avançar desta obra inúmeros títulos, tipos, figuras e símbolos lhe foram atribuídas para tentar revelar de alguma forma a sua grandeza, beleza e importância, mas o título ou figura que me parece mais representativo é a clássica denominação de Casa de Deus/Cristo.

Esta citação, na esfera que estamos analisando, aparece pela primeira vez na Bíblia em Gn. 28.17 e é fruto de um contexto riquíssimo, versos 10 a 22, que nos faz entender, mesmo sem entrar em minúcias, a revelação recebida por Jacó e a sua impactante declaração: Quão temível é este lugar! É a Casa de Deus, a porta dos céus.”

2.2- Betel – Casa de Deus


Para contextualização da referência citada em Gn 28.10-22, é preciso lembrar que Jacó estava em fuga depois da benção, astutamente, subtraída de Esaú, seu irmão. Após a caminhada de um dia todo, Jacó para num determinado lugar para passar a noite, adormece, e tem um sono revigorante e transformador, pela ação graciosa do Deus de Abraão que se revela a ele em sonho.

Ao despertar deste sono, Jacó entendeu que estava na Casa de Deus por que ali recebera um sonho contundentemente revelador constituído de cinco características ou princípios que a identificam como tal.

a.1 - Lugar de Acesso à Deus v.12,13a
a.2 - Lugar da presença de Deus - v.13a
a.3 - Lugar de revelação de Deus - v.13a e 16
a.4 - Lugar das promessas de Deus - v.13b, 14 e 15
a.5 - Lugar de vocação e serviço (benção) - v.14b

Todas as características ou princípios, acima citados, estão fundados na bendita Graça do Criador, que tomou a iniciativa de revelar-se e manifestar-se a Jacó enquanto este dormia, condição que não denota nenhum empenho, força ou mérito de Jacó, mas evidencia o favor imerecido de Deus, dispensado a ele independentemente de qualquer obra que tenha feito, boa ou má. (Rm 9.10-13).

Pelos tópicos acima citados podemos entender que a Casa de Deus é lugar onde se  desfruta de acessibilidade à  Sua Presença, onde se recebe da Sua revelação, se ouve das Suas boas promessas e se é vocacionado para o Seu serviço (benção para todas as nações).

No nosso entendimento, hoje ela não está necessariamente atrelada há um espaço ou lugar físico, não está vinculada, somente, a ambientes sombrios, silentes e requintados, artificialmente, forjados pela ação humana, mas ela é real quando Ele está presente e se manifesta por sua graça na nossa relação pessoal com Ele, individual ou coletiva, seja aqui, ali ou acolá envolvendo-nos naquela bendita atmosfera espiritual, saturada de paz, tipicamente emanente da Sua Presença.


Mas, retomando o nosso foco, voltemo-nos para a atribuição funcional da Casa de Deus, que está evidenciada no tópico: a.5 - Lugar de vocação e serviço (benção para todos os povos) - v.14b. Este aspecto da revelação de Deus a Jacó está alinhado com a sua palavra e promessa a Abrão (Gn. 12.3) e atende ao seu propósito eterno de abençoar todos os povos da terra. (continua)