a) Obediência nas
Relações Interpessoais - 2 Co 2.9
A obediência é sempre cara para nós. Somos,
naturalmente, desobedientes, inflamados pela vontade própria, soberba e
arrogância, relutamos em nos sujeitar e acatar ordens e direcionamentos de
terceiros, sobretudo, quando estas ordens e direcionamentos contrariam a nossa
vontade ou se opõem ao que pensamos ou sentimos.
Outrora, manifestávamos um
caráter assaz contrário a obediência, resultado da herança maldita de Adão, (Ro
5.19) e insistíamos na nossa teimosia e endurecimento até ao ponto de sermos identificados
como filhos da desobediência (Ef 2.2).
Em Cristo, porém, fomos feitos filhos da
obediência (1 Pe 1.14) e nela devemos perseverar, revelando uma faceta do caráter
provado/aprovado, que desprovido de arrogância se dobra, espontaneamente, à
vontade, ordem e orientação de outrem, especialmente, de Deus e de sua Palavra.
Alinhado com esta nova realidade, o ensino
apostólico cimenta de forma sábia e equilibrada a prática da obediência,
considerando-a necessária nas relações horizontais, “Sujeitem-se uns aos outros no
temor de Cristo.” (Ef
5.21) e, sobretudo, na relação vertical, o colégio apostólico, estabelece:
“É mais importante obedecer a Deus do que aos homens”. (At5.29)
Obediência
e vínculos emocionais
No texto de 2 Co. 2.9 o apóstolo Paulo foi
muito claro em apontar aos Coríntios que ele pretendia prová-los (dokime)
e ver se seriam aprovados em tudo, isto é, na obediência.
O contexto, segundo alguns estudiosos, é complemento do texto de 1 Co 5, quando
o apóstolo exorta e ordena a igreja de Corinto na aplicação de uma ação
disciplinar contra um dos seus membros.
Aqui, notamos que a igreja foi provada,
frente a um pecado vexatório e repugnante, sendo exigida sua obediência total a
ordem apostólica para, inicialmente, aplicar a correção devida ao infrator, e, posteriormente,
perdoá-lo e reconduzí-lo à comunhão da igreja.
Devemos considerar que a visão paulina, ao
apresentar a obediência como matéria de prova, naquele contexto, não foi
exagerada por que a sua ordem passaria pelo
crivo de uma complexa rede de relacionamentos – a Igreja, constituída de uma
diversidade de visões, juízos e interpretações individuais. Podemos ainda considerar
que, certamente, havia algumas pessoas mais
próximas do infrator e outras mais distantes, tornando o primeiro grupo mais
suscetível a um vínculo emocional mais forte com o infrator, o que pode ter
influenciado, além do que já foi citado, na falta de unanimidade observada pelo
apóstolo: “A punição que lhe foi imposta pela maioria é suficiente”.(2 Co 2.6)
Percebe-se, então,
que a obediência exigida e provada no cenário das relações interpessoais, marcadas
por fortes vínculos emocionais, pode ser prejudicada depondo negativamente
contra um caráter aprovado.
Por outro lado, o
caráter aprovado, nestas circunstâncias, pressupõe a superação de sentimentos e
emoções para o cumprimento do desafio da obediência, quando esta de alguma
forma interferir numa relação interpessoal fortemente marcada pela proximidade
e intimidade.
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