domingo, 20 de outubro de 2019


a)    Obediência nas Relações Interpessoais - 2 Co 2.9
 
A obediência é sempre cara para nós. Somos, naturalmente, desobedientes, inflamados pela vontade própria, soberba e arrogância, relutamos em nos sujeitar e acatar ordens e direcionamentos de terceiros, sobretudo, quando estas ordens e direcionamentos contrariam a nossa vontade ou se opõem ao que pensamos ou sentimos. 
Outrora, manifestávamos um caráter assaz contrário a obediência, resultado da herança maldita de Adão, (Ro 5.19) e insistíamos na nossa teimosia e endurecimento até ao ponto de sermos identificados como filhos da desobediência (Ef 2.2).
Em Cristo, porém, fomos feitos filhos da obediência (1 Pe 1.14) e nela devemos perseverar,  revelando uma faceta do caráter provado/aprovado, que desprovido de arrogância se dobra, espontaneamente, à vontade, ordem e orientação de outrem, especialmente, de Deus e de sua Palavra.
Alinhado com esta nova realidade, o ensino apostólico cimenta de forma sábia e equilibrada a prática da obediência, considerando-a necessária nas relações horizontais, Sujeitem-se uns aos outros no temor de Cristo.” (Ef 5.21) e, sobretudo, na relação vertical, o colégio apostólico, estabelece: É mais importante obedecer a Deus do que aos homens”. (At5.29)



Obediência e vínculos emocionais

No texto de 2 Co. 2.9 o apóstolo Paulo foi muito claro em apontar aos Coríntios que ele pretendia prová-los (dokime) e ver se seriam aprovados em tudo, isto é, na obediência. 
O contexto, segundo alguns estudiosos, é complemento do texto de 1 Co 5, quando o apóstolo exorta e ordena a igreja de Corinto na aplicação de uma ação disciplinar contra um dos seus membros.
 Aqui, notamos que a igreja foi provada, frente a um pecado vexatório e repugnante, sendo exigida sua obediência total a ordem apostólica para, inicialmente, aplicar a correção devida ao infrator, e, posteriormente, perdoá-lo e reconduzí-lo à comunhão da igreja.   
Devemos considerar que a visão paulina, ao apresentar a obediência como matéria de prova, naquele contexto, não foi exagerada por que a sua ordem passaria  pelo crivo de uma complexa rede de relacionamentos – a Igreja, constituída de uma diversidade de visões, juízos e interpretações individuais. Podemos ainda considerar que, certamente,  havia algumas pessoas mais próximas do infrator e outras mais distantes, tornando o primeiro grupo mais suscetível a um vínculo emocional mais forte com o infrator, o que pode ter influenciado, além do que já foi citado, na falta de unanimidade observada pelo apóstolo: A punição que lhe foi imposta pela maioria é suficiente”.(2 Co 2.6)
Percebe-se, então, que a obediência exigida e provada no cenário das relações interpessoais, marcadas por fortes vínculos emocionais, pode ser prejudicada depondo negativamente contra um caráter aprovado.
Por outro lado, o caráter aprovado, nestas circunstâncias, pressupõe a superação de sentimentos e emoções para o cumprimento do desafio da obediência, quando esta de alguma forma interferir numa relação interpessoal fortemente marcada pela proximidade e intimidade.

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