@ LIÇÃO 4 – Frutificação
Perseverante
4.1 Introdução
Nesta lição focaremos
a frutificação perseverante, último termo do
trinômio: recepção, retenção e frutificação, citado no evangelho de
Lucas 8:15, os dois primeiros termos foram vistos, respectivamente, na segunda e terceira lição
do presente volume.
Veremos que a frutificação na
vida cristã é tema de grande relevância e é o elemento mais cobiçado pelo Agricultor,
ela é a razão de ser da semeadura. (Jo 15.2b, 5, 16, Ro 7.4).
Notaremos,
também, que a frutificação revela a autenticidade e identidade do ser, desenvolvendo-se
em decorrência de uma relação efetiva de discipulado em Cristo, visando a
glória de Deus. (Jo. 15.8)
4.2
A palavra Fruto na Língua Grega
A palavra fruto no original grego é [1] καρπος (karpos),
ela
tem diversas traduções para o português, com conotações distintas
que reunimos em dois grupos:
1. Karpos
- Sentido Literal
1a) fruta
1b) fruto das
árvores, das vinhas; colheitas
1c) fruto do
ventre, da força geratriz de alguém, i.e., sua progênie, sua posteridade.
Segundo Austin[2],
benefício (fruta), karpos é usado em seu sentido literal para se referir a
frutas, produção, ou descendentes, que descrevem o que é produzido pela energia
inerente de um organismo vivo. Karpos é aquilo que é produzido naturalmente.
(Mt 7.16, Lc 13.7, Tg 5.7)
2.
Karpos - Sentido Metafórico
2a) aquele que
se origina ou vem de algo, efeito, resultado
2b) trabalho,
ação, obra
2c) vantagem,
proveito, utilidade
2d) louvores,
que são apresentados a Deus como oferta de agradecimento
2e) recolher
frutos (i.e., uma safra colhida) para a vida eterna (como num celeiro) é usado figuradamente
daqueles que pelo seu esforço têm almas preparadas para obterem a vida eterna
[3]Figurativamente,
karpos é usado como consequência da ação física, mental ou espiritual. No NT,
os usos metafóricos, figurativos,
predominam e isto é particularmente verdadeiro nos Evangelhos, onde as
ações e palavras humanas são vistas como frutos que crescem a partir do ser ou
caráter essencial de uma pessoa. ( Mt 3.10, Mt 7.16-20, Mt 12.33)
4.3 A Importância da Frutificação na vida
Cristã
A frutificação
na vida cristã é tema de grande relevância, pois aglutina variáveis que vão
desde o reconhecimento da autenticidade de sua fonte ( Mt 7.16-20), passando
pela afirmação da identidade, até alcançar a sua principal função, a glória de
Deus. (Jo. 15.8)
4.3.1 A autenticidade da fonte
A Frutificação autentica, sela,
confirma a essência e natureza do ser.
Apenas os frutos revelam de
forma clara e inquestionável a realidade da essência da fonte. (Mt 7.16-20,
12.33) Eles estão diretamente ligados à semente, não podendo negar a sua
essência e natureza. Na verdade, de modo geral, o fruto abriga no seu âmago a
semente que o originou, revelando uma ligação indissociável, entre eles, que é
guardada em todas as fases, da germinação à maturidade.
Por isso, os
frutos, por si só, falam tudo a respeito do ser. Cedo ou tarde, os frutos denunciam
eventuais manobras enganadoras. Na verdade, eles bradam ou bradarão, a despeito
de qualquer subterfúgio aparente e superficial. Eles não dão ou darão
sustentação a palavras, aparências, comportamentos ou mesmo status social,
fundados na dissimulação e mentira. (Zc 13.4, Mt 7.15, Lc 6.45; 20.45,46)
4.3.2 Afirmação da Identidade
Os frutos podem
afirmar a identidade cristã, revelando-nos verdadeiros discípulos (Jo 15.8). Mais
do que palavras, liturgias ou rituais, eles expõem a nossa realidade e mostram
se de fato estamos numa relação de efetivo discipulado com Cristo.
Os frutos que afirmam esta relação são cultivados num processo de permanente
disciplina, limpeza, poda (Jo 15.2).
O Agricultor não mede esforços na
realização da poda. Objetivando sempre mais frutos, Ele apara os nossos
pensamentos, sentimentos, vontade e ações, modelando o nosso caráter conforme o
caráter de seu filho, Jesus.
Isto, inicialmente, pode causar dor e tristeza, mas depois gera frutos
pacíficos de justiça, na vida daqueles que se submetem ao seu jugo e correção,
(Mt 11.29 e Hb 12.5-11) a ponto de
levá-los à identificação com Cristo, que aprendeu a obedecer por aquilo que
sofreu. (Hb 5.8)