2.
Atribuição Funcional – Casa de Deus (v.6)
2.1- Introdução
Na esteira da
atribuição relacional temos a atribuição funcional, na primeira encontramos a
nossa razão de existir e partilhamos de uma comunhão mutuamente prazerosa com o
Criador.
A segunda é uma extensão indissociável daquela e reforça a nossa vocação
na parceria com Deus, onde assumimos o papel de cooperadores na grande obra que
Ele está realizando, segundo o seu propósito eterno.
Note que esta
obra está em marcha desde os primórdios e que ao longo dos tempos Deus tem
chamado e capacitado seus servos para contribuírem com os seus dons e
ministérios no seu tempo, geração e cultura.
No avançar desta obra inúmeros títulos, tipos, figuras e símbolos lhe
foram atribuídas para tentar revelar de alguma forma a sua grandeza, beleza e
importância, mas o título ou figura que me parece mais representativo é a
clássica denominação de Casa de Deus/Cristo.
Esta citação,
na esfera que estamos analisando, aparece pela primeira vez na Bíblia em Gn. 28.17
e é fruto de um contexto riquíssimo, versos 10 a 22, que nos faz entender,
mesmo sem entrar em minúcias, a revelação recebida por Jacó e a sua impactante
declaração:
“Quão
temível é este lugar! É a Casa de Deus, a porta dos céus.”
2.2- Betel – Casa de Deus
Para
contextualização da referência citada em Gn 28.10-22, é preciso lembrar que
Jacó estava em fuga depois da benção, astutamente, subtraída de Esaú, seu irmão.
Após a caminhada de um dia todo, Jacó para num determinado lugar para passar a
noite, adormece, e tem um sono revigorante e transformador, pela ação graciosa
do Deus de Abraão que se revela a ele em sonho.
Ao despertar
deste sono, Jacó entendeu que estava na Casa de Deus por que ali recebera um sonho
contundentemente revelador constituído de cinco características ou princípios que
a identificam como tal.
a.1 - Lugar de Acesso à Deus v.12,13a
a.2 - Lugar da presença de Deus - v.13a
a.3 - Lugar de revelação de Deus - v.13a e 16
a.4 - Lugar das promessas de Deus - v.13b, 14 e 15
a.5 - Lugar de vocação
e serviço (benção) - v.14b
Todas as
características ou princípios, acima citados, estão fundados na bendita Graça
do Criador, que tomou a iniciativa de revelar-se e manifestar-se a Jacó enquanto
este dormia, condição que não denota nenhum empenho, força ou mérito de Jacó,
mas evidencia o favor imerecido de Deus, dispensado a ele independentemente de
qualquer obra que tenha feito, boa ou má. (Rm 9.10-13).
Pelos tópicos
acima citados podemos entender que a Casa de Deus é lugar onde se desfruta de acessibilidade à Sua Presença, onde se recebe da Sua revelação,
se ouve das Suas boas promessas e se é vocacionado para o Seu serviço (benção
para todas as nações).
No nosso
entendimento, hoje ela não está necessariamente atrelada há um espaço ou lugar
físico, não está vinculada, somente, a ambientes sombrios, silentes e
requintados, artificialmente, forjados pela ação humana, mas ela é real quando
Ele está presente e se manifesta por sua graça na nossa relação pessoal com Ele,
individual ou coletiva, seja aqui, ali ou acolá envolvendo-nos naquela bendita
atmosfera espiritual, saturada de paz, tipicamente emanente da Sua Presença.
Mas,
retomando o nosso foco, voltemo-nos para a atribuição funcional da Casa de Deus,
que está evidenciada no tópico: a.5 - Lugar de vocação e serviço (benção para
todos os povos) - v.14b. Este aspecto da revelação de Deus a Jacó está alinhado
com a sua palavra e promessa a Abrão (Gn. 12.3) e atende ao seu propósito
eterno de abençoar todos os povos da terra. (continua)