@ Lição 2 – A Receptividade ao Evangelho de Cristo
1.
Introdução
Uma vez exposto as
ineficiências da religiosidade e do neutralismo espiritual e o respectivo
banimento dos seus falsos conceitos, podemos prosseguir na identificação e
entendimento da verdadeira aceitação ao evangelho do Senhor Jesus Cristo.
Nesta lição veremos como
poderemos, efetivamente, receber o
evan-gelho de Cristo, verificar as nuances e profundidade deste ato, que excede
a postura religiosa e que nada tem haver com o pseudo-neutralismo espiritual.
2.
Recebendo o Evangelho
A efetiva recepção ao evangelho
de Cristo se fundamenta numa atitude, multifacetada, composta de:
voluntariedade, fé, simplicidade, humildade, alegria e extremo senso de urgência. Veremos, abaixo, cada faceta desta atitude,
verdadeiramente, receptiva e acolhedora ao evangelho de Cristo.
2.1 Voluntariedade e Racionalidade
Receber, aceitar deve ser um
ato de legítima e livre manifestação da vontade, fundado na lucidez e
racionalidade.
Sob este ponto de vista,
podemos considerar que o homem pode exercer o seu livre-arbítrio,
posicionando-se positivamente (recebendo, acolhen-do) ou negativamente (rejeitando, desprezando) tudo
aquilo que lhe é apresentado.
Não foge a este principio, nem
mesmo o evangelho do Senhor Jesus Cristo que depois de anunciado, pregado e
divulgado, aguarda a manifestação da decisão humana em abraçá-lo ou rejeitá-lo.
Como vimos na lição passada, o Senhor não considera a neutralidade e não admite
o meio termo (religiosidade).
Por isso, o Senhor Jesus por
diversas vezes colocou o homem em xeque, instigando exatamente o seu atributo
de decisão em relação a sua Pessoa.
Contudo, veremos o Seu
desprendimento não impondo ou obrigando os homens a aceitá-lo ou recebê-lo.
O Senhor Jesus chama o homem a
uma decisão voluntária, espontânea e racional.
Durante o Seu ministério, Ele
não fez nem sequer um apelo fundamentado ou direcionado para o lado emotivo do
homem e nem mesmo os iludiu com promessas de vida fácil e eterna felicidade,
sem lutas, provações ou tribulações nesta vida.
E assim foi, não por
desconhecer o caráter emotivo dos seres humanos: seus sentimentos e
sensibilidade; ou sua tendência natural
de satisfação e acomodação à uma vida sossegada, farta e
segura. Mas, por saber que as decisões emanadas, exclusivamente, do emocional
humano ou da pseudoconsciência de vida fácil, são volúveis e frágeis, não
podendo conferir a devida consistência e
suporte para o enfrentamento das previ-síveis situações adversas que seu receptor e seguidor poderão passar.
Os textos, abaixo, confirmam
com clareza estes princípios veja:
“... e quem
quiser receba de
graça a água da vida”. (Ap 22:17)
“Se alguém quiser fazer a
vontade dele, conhecerá a respeito da doutrina, se ela é de Deus ou se falo por
mim mesmo”. (Jo 7:17)
Dizia a todos: “Se alguém
quer vir após mim, a si mesmo se negue,
dia a dia tome a sua cruz e siga-me”. (Lc. 9:23, veja também Lc.14:25-33)
“Indo eles caminho fora,
alguém lhe disse: Seguir-te-ei por onde quer que fores.
Mas Jesus lhe respondeu: As
raposas têm seus covis, e as aves do céu, ninhos; mas o Filho do homem não tem
onde reclinar a cabeça”. (Lc 9:57-58)
“... Se me perseguiram a mim,
também perseguirão a vós outros...”(Jo 15:20b)
“Estas
coisas vos tenho dito para que tenhais paz em mim. No mundo, passais por aflições; mas tende bom ânimo; eu venci o mundo.” (Jo 16:33)
“Bem-aventurados sois
quando, por minha causa, vos injuriarem, e vos perseguirem, e, mentindo
disserem todo o mal contra vós”. ( Mt 5:11)
Nestes textos está evidente que o Senhor Jesus não lançou
mão de artifícios emocionais ou de promessas levianas de vida fácil, para ser
aceito ou seguido pelos homens. Ao contrário, Ele confrontou, de forma direta,
seus potenciais receptores e seguidores com declarações fortes, desafiadoras e
indubitáveis acerca das muitas e diversas adversidades a que estariam sujeitos.
Ele fez isto para que a aceitação a Sua pessoa, fosse assumida pelos seus
receptores de forma voluntária e consciente, inclusive, os advertindo sobre
esta situação, dizendo: ‘‘Pois qual de vós,
pretendendo construir uma torre, não se assenta primeiro para calcular a
despesa e verificar se tem os meios para a concluir? Ou qual é o rei que, indo
para combater outro rei, não se assenta primeiro para calcular se com dez mil
homens poderá enfrentar o que vem contra ele com vinte mil?” (Lc 14:29,31)
2.2 Fé (Jo
1:12)
“Mas, a todos quantos o
receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, a saber, aos que
crêem no seu nome”.
Certamente, a fé é o elemento
decisivo para a nossa aceitação a Cristo. Está claro que o Senhor exige que o
homem tome uma posição consciente em relação à Sua Pessoa; e que Ele não explora as emoções humanas para este fim.
Mas não podemos deixar de considerar que entre a razão e a emoção existe uma
lacuna, a qual deve ser preenchida pela fé.
Esta fé não é resultado do racionalismo e nem do emocionalismo, mas é
um dom de Deus. (Ef 2:8)
É esta fé, que vai interferir
positiva e decisivamente na nossa aceitação ao Senhor.
Voltando para o texto de Jo
1:12, observamos, exatamente, esta relação: crer e receber.
Obviamente, só podemos receber
a Jesus, a quem não vemos, pela fé. ( Ef 3:17a)
Como vimos, a fé não é um passo
no escuro, mas uma dádiva divina que está, devidamente, sustentada na
inequívoca palavra de Deus e que nos faz ver, nitidamente, como sob a luz do
sol do meio-dia, que o Senhor é real e a sua palavra é verdadeira e digna de
toda confiança. Aleluia!!
Por isso, podemos abrir os
nossos corações, em plena certeza de fé, para receber o evangelho de Cristo e
se tornar Sua habitação – “e, assim, habite Cristo
no vosso coração, pela fé,...” (Ef 3:17a).
2.3 Simplicidade (Mc 10:13-15)
Neste texto o Senhor Jesus
estabelece uma condição básica sobre como devemos receber o reino de Deus. Ele
declara: “Quem não receber o reino de Deus como uma criança...” Entre as
muitas características das crianças, a simplicidade é aquela que mais se
sobressai, principalmente, quando a comparamos com os adultos. Em geral, as
crianças recebem o que lhes é oferecido, deforma espontânea, sem nenhuma
cerimônia, conjectura ou racionalismo meritório. Simplesmente, abraçam a
dádiva, com sinceridade, alegria e
gratidão.
Já, os adultos revelam-se
extremamente complexos: ressabiados, inquiridores, racionais e orgulhosos,
procurando méritos e justificativas, em si mesmos; para a recepção daquilo que
lhes é oferecido gratuitamente. (Ap.22:17)
É com simplicidade de coração
que recebemos o reino de Deus na pessoa do Senhor Jesus Cristo.
2.4 Receptividade - Humilde e sem Reservas (Lc 7:36-50)
Entre os judeus havia um
procedimento comum na recepção dos seus hóspedes e convidados, vou chamar isto
de etiqueta da boa recepção e hospitalidade.
Esta etiqueta compreendia:
oferecimento de água, para a lavagem dos pés, um cumprimento afetuoso - o
ósculo e a unção com óleo sobre a cabeça do hóspede.
Estes procedimentos deveriam
ser praticados pelo anfitrião. No texto citado acima Simão, um religioso fariseu,
anfitrião, do Senhor Jesus o recebeu com
frieza e indiferença, não oferecendo-lhe
as honrarias normais da boa
recepção, e o Senhor percebeu. (Lc 7:44-46)
Isto mostra-nos que os
religiosos e os “bonzinhos” cheios de justiça própria não se consideram muito endividados. Por isso,
manifestam uma recepção pouco calorosa e cheia de reservas.
A mulher que apareceu na casa
do fariseu, “roubou” a cena prestando ao Senhor as devidas honrarias da boa
recepção. Com total humildade e quebrantamento, ela ministrou o ritual completo
da boa receptividade e hospitalidade, aos pés do Senhor Jesus. Ela de fato demonstrou
recebe-lo, aceitá-lo, sem reservas e com muito amor, na sua própria “casa”-
Vida.
É com um coração e atitude como
esta que o Senhor espera ser recebido e honrado em nossas vidas.
2.5 Receptividade Urgente e Alegre (Lc 19:1-10)
É importante destacarmos o
senso de urgência, predominante neste texto. Observe os versos: 4 a, 5b e 6 -
onde os vocábulos: correndo, depressa e a toda a pressa, dão o tom de urgência ao
encontro entre o pecador e o Salvador. Zaqueu corre para ver Jesus, e na mesma
sintonia de urgência o Senhor o intima:
‘‘desce depressa, pois me convém ficar em tua casa hoje”, Zaqueu, então, desce
a toda a pressa e o recebe com alegria.
O Senhor tem pressa em
encontrar-se com o pecador e ser recebido por ele. Quando Jesus encontra um homem desejoso de vê-lo,
encontrá-lo e recebê-lo, com este senso de urgência, a interação entre ambos é
rápida e certa.
Por isso, a escritura declara: “Assim, pois, como diz o Espírito Santo: Hoje, se ouvirdes a sua voz, não endureçais o vosso coração...
” (Hb 3:7,8a), “pois me convém ficar hoje em tua casa. ”(Lc 19:5b).
Se você, ainda, não
recebeu o Senhor Jesus, em sua “casa” ou seja em sua vida, hoje é o momento,
e por que não agora mesmo? Se você está aberto para aceitá-lo e consciente
da urgente necessidade de recebê-lo agora em sua vida como seu Senhor e
Salvador, faça a seguinte oração:
Senhor Jesus, abro o meu coração,
a minha vida para ti, vem habitar, reinar no meu espírito, alma e corpo.
Eu o desejo de fato e em verdade, creio
na sua morte pelos meus pecados, creio na sua ressurreição, preciso da tua
presença, salvação e domínio. Quero uma vida de constante comunhão contigo e
com a tua palavra. Abandono a religiosidade, o pecado, satanás e o mundo para
viver em Ti por Ti e para Ti. Amém!!
Conclusão: Não queremos
dizer que a aceitação, ao evangelho de Cristo, só é validada, apenas quando o
receptor manifesta, na integra, esta atitude multifacetada. Mas,
certamente, duas ou mais características
desta atitude são ou serão vivenciadas de forma real pelo receptor do Filho de
Deus.
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| Fig. 1 - Ilustração dosTópicos da lição 2 |
Questionário
1. Qual é o conceito de fé, e
qual a sua importância, para recebermos o evangelho de Cristo?
2. O que se opõe a uma
receptividade humilde e sem reservas ao evangelho de Cristo?
3.Quais são as características
de uma atitude receptiva ao evangelho de Cristo?
4. Mencione as razões pelas
quais o Senhor Jesus não apelou ao emocional humano e nem alardeou falsas
promessas para a sua receptividade.
5. Cite algumas características
da simplicidade de coração.
6. Leia os capítulos de
4 a 6 do evangelho de Marcos.
7. Decore o texto:
“Mas, a todos quantos o
receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, a saber, os que
crêem no seu nome”.
