sexta-feira, 19 de agosto de 2016

3.1.4 – Reter a Confiança – Hb 3.6,14


Avançando no entendimento do importante princípio de retenção da Palavra, nos deparamos com uma variável da palavra Katecho, citada, por mais de uma vez, no texto de Hb 3.6,14. Nele, este vocábulo está relacionado à confiança e por duas vezes somos exortados a retê-la.
Antes, porém, de considerarmos esta importante exortação, precisamos entender o elo de transição do ensino da retenção da Palavra, para o ensino de retenção da confiança. Isto é, facilmente, explicado pela relação estreita e direta, entre o evangelho e fé/confiança.
Fé e confiança estão imiscuídas, são geradas e consolidadas pela Palavra de Deus.
Vejam a pregação do evangelho, que é a palavra de Cristo, gera a fé (Ro 10.17) e a fé traz no seu bojo a confiança. Logo quem crê, no evangelho, confia.  
Essa breve e objetiva colocação nos permite compreender, então, como esta relação é estabelecida.
Agora, focaremos no entendimento da necessidade de se reter a confiança, como mencionada em Hb 3.6 e 14:

“ mas Cristo, como Filho, sobre a sua própria casa; a qual casa somos nós, se tão-somente   1conservarmos firme a confiança e a glória da esperança até ao fim”.  v.6

“Porque nos tornamos participantes de Cristo, se 1retivermos firmemente o princípio da  nossa confiança até ao fim.”  v.14

Nestes versos é a palavra 1Kataschomen, variável de katecho, que  aparece, no original grego, na relação direta à confiança, e tem o significado de: reter, manter, guardar.
Reter a confiança, então, implica na manutenção da convicção, certeza produzida pela Palavra de Deus, que é a sua nutrição.
No tópico 3.1.3 fomos exortados a reter a palavra, sendo ela fonte da fé. Agora, somos, igualmente, exortados a reter um dos seus principais frutos: fé/confiança. 
Isto demonstra que reter a confiança e tão fundamental quanto reter o evangelho, e a forma como isto está colocado nos versos, acima, acentuam a sua relevância para a vida do cristão.
Observe, que em ambos os versos, a retenção da confiança é citada em contextos que a apresentam precedida pela partícula “se”:

“... se tão somente 1conservarmos firme a confiança, ...” v.3;

“ se retivermos firmemente o princípio da nossa confiança...” v.14

Isto indica que a retenção da confiança é uma condicional, determinante, para assegurarmos duas importantes atribuições:

1. Atribuição Funcional  


2. Atribuição Relacional

- continua posteriormente.

terça-feira, 2 de agosto de 2016

3.1.3 O Ensinamento da Retenção da Palavra no Novo Testamento
No Novo Testamento, há mais citações da palavra κατεχωkatecho, inclusive, no contexto que estamos abordando aqui. Além da menção  dela, no texto que elegemos como base desta lição, Lucas 8.4-15, relacionado no tópico 2, veremos a ampliação do seu ensinamento, nas abordagens apostólicas.

3.1.3.1  Reter o Evangelho para Salvação - 1 Co 15.1-4
O apóstolo Paulo fez uso da palavra katecho, considerando-a na relação direta com o anúncio da sua mensagem - o evangelho.  Para ele a receptividade e perseverança dos crentes coríntios, ao evangelho por ele pregado, lhes proporcionaria salvação, se uma condicional tão importante quanto a recepção e perseverança, fosse cumprida: a retenção integral   da sua mensagem.
Katecho, indica-nos que a retenção, a posse ao evangelho apostólico integral, é um sequencial indispensável à sua receptividade, além de conferir sentido à perseverança e fé nele.
Note que o apóstolo, chegou a questionar a validade da fé (versos 13,14) dos coríntios justamente, em função da sinalização deles quanto a falta de retenção integral ao evangelho, quando alguns dentre eles afirmaram que não há ressurreição de mortos, verso 12.
O evangelho pregado por Paulo deveria ser retido pelos coríntios, tal como ele os anunciou. Este evangelho está sintetizado nos versos 3 - 8:
“... Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras, e que foi sepultado e ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras”
E apareceu a Cefas e, depois, aos doze.
Depois, foi visto por mais de quinhentos irmãos de uma só vez, dos
quais a maioria sobrevive até agora; porém alguns já dormem.
 Depois, foi visto por Tiago, mais tarde, por todos os apóstolos e,
afinal, depois de todos, foi visto também por mim, como por um
nascido fora de tempo.”

Este evangelho, retido na sua essência, pureza e integralidade, produz o seu fruto central - a salvação.

sexta-feira, 1 de julho de 2016

3.1.2 O Ensinamento da Retenção da Palavra no Velho Testamento

Uma breve olhadela no velho testamento nos permite verificar que a retenção da Palavra é um ensinamento bíblico que remonta o novo testamento.
 A recorrente exortação para a retenção da Palavra, ou mesmo o uso de variáveis com o sentido similar, no velho testamento, confirma sua importância para a vida do povo de Deus.
     Na Torá, Deus ressalta que o seu ensino deve ser armazenado, contido nos corações dos  filhos de Israel: “ E estas palavras que hoje te ordeno estarão no teu coração”. Dt 6.6
     No livro de Jó, Elifaz, alinhado com o pensamento da Lei, exorta Jó a aceitar a instrução de Deus e a colocá-la no seu coração, dizendo: “Aceita, peço-te, a instrução que profere e põe as suas palavras no teu coração".
     Nos Salmos, temos uma convicta declaração do salmista acerca da sua  prática em guardar a Palavra, seguida do seu entendimento do propósito desta prática: “Guardo no coração as tuas palavras, para não pecar contra ti.”  Sl 119.11
     Salomão, no livro de Provérbios, revela parte do seu aprendizado no contexto familiar, ao relatar a eloquente exortação do seu pai: “então, ele me ensinava e me dizia: Retenha o teu coração as minhas  palavras; guarda os meus man-damentos e vive;” Pv 4.4
    “Retém a instrução e não a largues; guarda-a, porque ela é a tua vida." Pv. 4.13
 Se a palavra paterna tem um peso tão grande e forte assim sobre a vida do filho  natural, quando mais terá importância e impacto a Palavra do Pai celestial.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

@ LIÇÃO 3 – Retendo o Evangelho de Cristo

                                            
1. Introdução

Vimos na lição anterior, que a recepção ao evangelho do Senhor Jesus, envolve uma atitude multifacetada (págs. 5 e 9).
Certamente, esta recepção positiva ao Evangelho é um início promissor para a construção de uma relação que poderá evoluir de forma  permanente e compromissada com o Senhor Jesus.
No entanto, ela não é ou não deve ser única e desconexa. Precisamos  nutrir e cultivar de forma permanente a boa recepção ao Senhor e sua Palavra, no espírito de fé, voluntariedade, simplicidade, humildade e senso de urgência, visando preservar esta boa acolhida ao Evangelho do Senhor Jesus.
Para a lição atual o texto base que adotamos está no evangelho de Lucas 8. 4-15, que relata a parábola do Semeador e nos indica como se processa a relação: semente (Palavra) e solo (coração humano).
Veremos, então, que o processo iniciado pela boa acolhida ao Evangelho deve ser seguido pela firme e resoluta retenção da Palavra que resultará em frutificação perseverante. 


2..      A dinâmica da Semente e o Solo

A boa relação da semente (Palavra) e o solo (coração humano) pode ser sintetizada por uma dinâmica, composta pelo trinômio: recepção, retenção e frutificação da Palavra. Podemos observar isto pelo texto do verso 15:
“A que caiu na boa terra são os que, tendo ouvido de bom e reto coração, retêm a palavra; estes frutificam com perseverança.”
 A dinâmica que é iniciada com uma recepção de qualidade, como vimos na lição anterior, passa pela retenção da palavra, que é a fase  intermediária e fundamental para a germinação da semente quando, então, eclode a vida latente da Palavra e o seu enraizamento, para dar sustentação ao seu crescimento à maturidade e a frutificação perseverante.
Esta dinâmica é cíclica devendo repetir-se a cada Palavra de Deus semeada ao nosso coração, e não somente no contato inicial com ela. O solo que abriga (retém) adequadamente a semente, certamente, produzirá seus frutos, porque a palavra de Deus é viva, eficaz e não voltará vazia.
. “assim será a palavra que sair da minha boca: não voltará para mim
 vazia, mas fará o que me apraz e prosperará naquilo para que a desig-
nei.” Is 55.11

. “Porque a palavra de Deus é viva, e eficaz, e mais cortante do que qualquer espada de dois gumes, e penetra até ao ponto de dividir alma e espírito, juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e propósitos do coração.”  Hb 4.12


3.      O Processo de Retenção da Palavra

Neste tópico veremos mais atentamente o ensinamento da retenção da Palavra no velho e novo testamento, destacando o seu significado, importância e implicação, para entendermos como ela se processa no  coração humano.


3.1 A palavra Reter na Língua Grega

A palavra reter no original grego é [1] κατεχωkatecho, que recebe as seguintes traduções para o português:

1) não deixar ir, reter, deter
1a) de partir
1b) conter, impedir ( o curso ou progresso de )
(...)
(...)
1c) manter amarrado, seguro, posse firme de
2) conseguir a posse de, tomar
2b) possuir

Katecho, portanto, significa: reter a Palavra segurá-la, guardá-la, contê-la, tomar posse (possuí-la), mantê-la amarrada, atada firmemente a nossas mentes e corações. No entanto, não é sinônimo de possessão egocêntrica e exclusivista, como pode parecer, mas é sim um indicativo  importante para o processo de interiorização, assimilação e conformação à  Palavra, que passa a ser sua para posterior divulgação e frutificação.   
Obviamente, Katecho procede da vontade e determinação do ouvinte/leitor, e não está fundada no seu emocional. Katecho, portanto, demanda decisão e foco do ouvinte/leitor para, efetivamente, reter a  Palavra em sua mente e coração.
Isto, evidentemente,  vai muito além da simples audição ou leitura da Palavra, e opõe-se frontalmente ao ditado popular: “Entrou por um ouvido e saiu pelo outro” que indica uma audição ou leitura descompromissada, marcada pela falta de atenção e interesse, resultando na completa ausência de assimilação da mensagem ouvida ou lida.


* continua posteriormente.


[1] Léxico Hebraico, Aramaico e Grego de Strong