sábado, 5 de janeiro de 2019


@ LIÇÃO 4 – Frutificação Perseverante

4.1 Introdução

Nesta lição focaremos a frutificação perseverante, último termo do  trinômio: recepção, retenção e frutificação, citado no evangelho de Lucas 8:15, os dois primeiros termos foram vistos,  respectivamente, na segunda e terceira lição do presente volume.
Veremos que a frutificação na vida cristã é tema de grande relevância e é o elemento mais cobiçado pelo Agricultor, ela é a razão de ser da semeadura. (Jo 15.2b, 5, 16, Ro 7.4). 
Notaremos, também, que a frutificação revela a autenticidade e identidade do ser, desenvolvendo-se em decorrência de uma relação efetiva de discipulado em Cristo, visando a glória de Deus. (Jo. 15.8)


4.2 A palavra Fruto na Língua Grega

A palavra fruto no original grego é [1] καρπος  (karpos), ela tem diversas traduções para o português, com conotações distintas que reunimos em dois grupos:

1. Karpos  - Sentido Literal

1a) fruta
1b) fruto das árvores, das vinhas; colheitas
1c) fruto do ventre, da força geratriz de alguém, i.e., sua progênie, sua posteridade.

Segundo Austin[2], benefício (fruta), karpos é usado em seu sentido literal para se referir a frutas, produção, ou descendentes, que descrevem o que é produzido pela energia inerente de um organismo vivo. Karpos é aquilo que é produzido naturalmente. (Mt 7.16, Lc 13.7, Tg 5.7)

2. Karpos - Sentido Metafórico

2a) aquele que se origina ou vem de algo, efeito, resultado
2b) trabalho, ação, obra
2c) vantagem, proveito, utilidade
2d) louvores, que são apresentados a Deus como oferta de agradecimento
2e) recolher frutos (i.e., uma safra colhida) para a vida eterna (como num celeiro) é usado figuradamente daqueles que pelo seu esforço têm almas preparadas para obterem a vida eterna

[3]Figurativamente, karpos é usado como consequência da ação física, mental ou espiritual. No NT, os usos metafóricos, figurativos,  predominam e isto é particularmente verdadeiro nos Evangelhos, onde as ações e palavras humanas são vistas como frutos que crescem a partir do ser ou caráter essencial de uma pessoa. ( Mt 3.10, Mt 7.16-20, Mt 12.33)

4.3 A Importância da Frutificação na vida Cristã
A frutificação na vida cristã é tema de grande relevância, pois aglutina variáveis que vão desde o reconhecimento da autenticidade de sua fonte ( Mt 7.16-20), passando pela afirmação da identidade, até alcançar a sua principal função, a glória de Deus. (Jo. 15.8)

4.3.1 A autenticidade da fonte

A Frutificação autentica, sela, confirma a essência e natureza do ser. 
Apenas os frutos revelam de forma clara e inquestionável a realidade da essência da fonte. (Mt 7.16-20, 12.33) Eles estão diretamente ligados à semente, não podendo negar a sua essência e natureza. Na verdade, de modo geral, o fruto abriga no seu âmago a semente que o originou, revelando uma ligação indissociável, entre eles, que é guardada em todas as fases, da germinação à maturidade.
Por isso, os frutos, por si só, falam tudo a respeito do ser. Cedo ou tarde, os frutos denunciam eventuais manobras enganadoras. Na verdade, eles bradam ou bradarão, a despeito de qualquer subterfúgio aparente e superficial. Eles não dão ou darão sustentação a palavras, aparências, comportamentos ou mesmo status social, fundados na dissimulação e mentira. (Zc 13.4, Mt 7.15, Lc 6.45; 20.45,46)

4.3.2 Afirmação da Identidade

Os frutos podem afirmar a identidade cristã, revelando-nos verdadeiros discípulos (Jo 15.8). Mais do que palavras, liturgias ou rituais, eles expõem a nossa realidade e mostram se de fato estamos numa relação de efetivo discipulado com Cristo.
Os frutos que afirmam esta relação são cultivados num processo de permanente disciplina, limpeza, poda (Jo 15.2).    
 O Agricultor não mede esforços na realização da poda. Objetivando sempre mais frutos, Ele apara os nossos pensamentos, sentimentos, vontade e ações, modelando o nosso caráter conforme o caráter de seu filho, Jesus.
Isto, inicialmente, pode causar dor e tristeza, mas depois gera frutos pacíficos de justiça, na vida daqueles que se submetem ao seu jugo e correção, (Mt 11.29 e Hb 12.5-11)  a ponto de levá-los à identificação com Cristo, que aprendeu a obedecer por aquilo que sofreu. (Hb 5.8)


[1] Léxico Hebraico, Aramaico e Grego de Strong
[2]www.preceptaustin.org
[3] www.preceptaustin.org

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