domingo, 19 de março de 2017


 - Atribuição Relacional

Das duas atribuições, sem dúvida alguma, a atribuição relacional é aquela que sintetiza a razão da nossa existência. Fomos criados a imagem e semelhança de Deus para este fim - relacionarmos com Ele.

Quando nos desviamos deste propósito, em Adão, dando crédito aos encantamentos da “serpente” vivemos uma verdadeira tragédia, com o rompimento da cadeia de comunhão com Deus, e tentamos, desesperadamente, nos ocultar e fugir da sua presença. (Gn 3.8-10)

Com isto, nos perdemos num imenso vácuo existencial, passando a girar em torno do nosso próprio eixo (ego) vivendo em si, por si e para si mesmo.

Desde então, nos afastamos do Senhor e nos tornamos presa da ditadura do ego, carne, pecado, mundo e de Satanás.

Mas, louvado seja o Senhor que liberou a promessa do advento da semente da mulher e a cumpriu em Jesus Cristo (Gn 3.15, Mt 1.18-25), para restaura-nos à sua verdadeira comunhão e resgatar-nos daquela condição caótica em que vivíamos.


E por Cristo fomos aproximados de Deus novamente. (Jo 14.6, Ef. 2.13 e Hb 7.25)
E mais, ainda, nos “ tornamos participantes de Cristo...” (Hb 3.14).
Neste verso a palavra grega μέτοχος (métocos) foi traduzida por participante, mais também significa: companheiro, parceiro, sócio. Esta mesma palavra é citada no texto de Hb 6.4 fazendo menção aos cristãos que se tornaram participantes do Espírito Santo.

Ora, não era Adão, antes da queda, um companheiro de Deus quando este passava pelo jardim na viração do dia para visitá-lo? (Gn 3.8-10) E quando Deus, após a criação de todos os animais, decidiu trazê-los a Adão para este nomeá-los, não foi isto uma atividade típica de parceria? (Gn 2.19-20)

Pois bem, no texto de Hb 3.14 somos advertidos a “retermos firmemente até o fim a confiança que tivemos no princípio”, para participarmos do companheirismo e parceria com Cristo.

A advertência faz todo sentido, porque nos leva ao entendimento do precedente número um, que foi a causa da desobediência e queda do primeiro casal – a desconfiança.

Quando Eva foi confrontada pela palavra da serpente – “ certamente não morrereis...” (Gn 3.4), palavra que foi frontalmente oposta a Palavra de Deus – “... não comerás, porque no dia dela comeres certamente morrerás” (Gn 2.17), a dúvida permeou seu coração, abriu as portas para a concupiscência da carne, dos olhos e soberba da vida (Gn 3.4-6 com I Jo 2.15-17), e acabou minando a sua confiança em Deus e na sua Palavra.

Isto interrompeu a retenção da confiança e introduziu a perda do privilégio do companheirismo e parceria Divina.
Em Cristo fomos reconduzidos a este privilégio e passamos a participar desta relação de companheirismo e parceria, com Ele mesmo e com o Espírito Santo.


Cristo, portanto, não é apenas um meio de acesso, porta ou caminho, mas alguém com quem interagimos numa relação de permanente fé e confiança, que nos leva ao cumprimento do bendito propósito da nossa existência e chamado: à comunhão  com o Pai e com Ele mesmo. (1Co 1.9, 1Jo 1.4)

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