Série: Evangelho
Título: Recebendo o Evangelho
Volume 2
“A experiência provê a dolorosa prova de que as
tradições, uma vez engendradas, são primeiramente tidas como úteis, depois
consideradas necessárias, até finalmente serem transformadas em ídolos. Todos
têm que se curvar diante delas ou haverá punição.” - J.C. Ryle
1. Introdução
Abrimos este volume com
esta lição, justamente, porque pretendemos
considerar alguns empecilhos à
verdadeira recepção ao Evangelho de Cristo. Nesta lição, destacamos: a
religiosidade e o neutralismo espiritual. Queremos com isto desmistificar,
remover o engano que, sutilmente, permeia a religiosidade e o neutralismo
espiritual. Ambos supõem, respectivamente, adesão e isenção. Mas, na realidade,
veremos que não são suficientes para
eximirem os homens de uma tomada de decisão real e séria sobre a recepção ou
não do evangelho do Senhor Jesus.
Esta lição e volume vêm,
portanto, convidar você leitor/estudante a uma reflexão sincera e honesta,
sobre a sua possível posição religiosa ou pretensa neutralidade espiritual,
para que de forma franca você possa decidir-se pela verdadeira recepção ao
evangelho de Cristo.
2. Religiosidade
A religiosidade pode ser
entendida como um sentimento ou disposição favorável à religião ou ainda, como algum tipo de envolvimento com
ela.
Essa religiosidade leva o
indivíduo a ter algum apreço pelo ensino, tradição e liturgia, praticada no
contexto da religião com que teve ou tem contato.
Há indivíduos que nasceram ou
cresceram num ambiente familiar notadamente religioso de cunho cristão ou não,
e que acabaram absorvendo a tradição religiosa da família. Outros, posteriormente,
tornaram-se adeptos de religiões cristãs ou não. O fato é que a religiosidade
ou a religião em si, não assegura uma realidade de vida espiritual, sintonizada
com Deus e Seu Filho.
Observe que em Mt 12.22-32, os
interlocutores diretos do Senhor Jesus foram os fariseus, membros da principal
seita religiosa daqueles dias.
Eles aferraram-se ao rigor das
suas doutrinas, tradições e rituais, de tal forma, que ficaram entorpecidos e
não se posicionaram a favor de Cristo. Na verdade, eles foram opositores
ferrenhos do Senhor Jesus e protago-nistas
do mais grave pecado: a blasfêmia contra o Espírito Santo. Perderam a
oportunidade de receberem o Reino de Deus e reconhecerem que Jesus era o agente
deste reino pela operação do Espírito de Deus. O texto de João 9:16 reforça a visão equivocada dos fariseus sobre a
pessoa do Senhor Jesus, a partir da ótica religiosa que possuíam.
Convém, destacar que frequentemente,
as religiões são mais opositoras do que aliadas do Senhor.
O conjunto doutrinário das religiões
contempla muito ensino e prática, resultante de pensamentos e tradições
humanas, que na essência está destituída do verdadeiro Espírito de Cristo.
2.1 O Perfil das Religiões
Em linhas gerais, podemos
identificar, no texto de Marcos 7: 1-23, sete características prevalecentes na
constituição da religião farisaica e que de modo geral é comum às religiões,
independentemente, da origem, credo ou ritual, são elas:
1. Tradição Humana (hipervalorização
do legado humano) – versos 3, 5, 8, 9b, 13a ;
2. Observâncias exteriores (usos e costumes) verso 4;
“Costume sem verdade é erro
envelhecido”. - Tertuliano.
3. Honraria teórica e verbal (falácia)-
verso 6;
4. Coração longe do Senhor; (superficialidade
espiritual) – verso 6b;
5. Adoração vã, destituída de
conteúdo – verso 7a;
6. Doutrinamento humano (ensinamento
falso/distorção doutrinária) – versos 7b; 11, 12 e 13b
7. Desobediência à palavra de
Deus – verso 8a, 9a; 10,13a
Estas características
evidenciam um distanciamento enorme entre
a reli-gião/religiosidade e a verdadeira recepção ao evangelho do Senhor
Jesus.
Observe, agora, que o texto de
Ap 3:15-16: “Conheço as tuas obras, que nem és frio nem quente. Quem dera
fosses frio ou quente!”
“Assim, porque és morno e
nem és quente ou frio, estou a ponto de vomitar-te da minha boca”, sintetiza
bem a religiosidade manifestada pela igreja de Laodicéia, que resultou numa contundente
insatisfação e desaprovação do Senhor Jesus: “estou a ponto de
vomitar-te da minha boca.“ A mornidão, refere-se a religiosidade, que na
realidade foi evidenciada, pelas obras (verso 15a), pelo sentimento de
auto-suficiência, (verso 17a), e ausência de comunhão pessoal com Cristo (verso
20), isto revela uma vida desassociada de uma relação íntima com o Senhor.
Este último aspecto é
salientado por Jesus da seguinte forma: “Eis que estou à porta e bato se
alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa e cearei com
ele, e ele comigo”. Neste texto,
observamos que o Senhor Jesus, indica que está excluído da comunhão pessoal e real,
com os membros da igreja de Laodicéia. Ele encontra-se no lado de fora, separado,
apartado da intimidade da igreja. Por isso, Ele se apresenta para buscar com
aqueles que o ouvirem e se abrirem para recebê-lo, uma comunhão íntima. Para
isto, Ele espera ser recepcionado com sinceridade, sem reservas, por uma
disposição genuína de abertura e comprometimento com Ele e Seu reino.
Nas lições, seguintes, veremos
como poderemos nos abrir, efetivamente, para recebê-lo e vivenciar uma
realidade de vida em comunhão com Cristo.
3. O Neutralismo Espiritual
Há uma corrente de pensamento
humanista que acredita num possível posicionamento de neutralidade em relação
às coisas espirituais. Para essa linha de pensamento a neutralidade,
pretensamente, os isenta das influências
e dos prováveis efeitos espirituais. Observe, no entanto, que o próprio Senhor
Jesus exige um posicionamento definido dos homens: conhecendo e abraçando-o ou ignorando
e rejeitando-o. A seguinte citação do
Senhor Jesus: “Quem não é por mim é contra mim; e quem comigo não ajunta
espalha”. (Mt 12:30), deixa evidente que Ele não considera a neutralidade
detonando, desta forma, o frágil fundamento do neutralismo espiritual.
A referida afirmação do Senhor
Jesus foi feita num contexto de esclarecimento da existência de dois reinos: o
reino de Deus e o reino de Satanás (Mt 12:22-32 e Lc 11:14-23).Veja que Ele
deixa claro que os homens têm apenas
duas opções: ser por Ele, recebê-lo, aceitá-lo ou estar contra Ele, e neste
último caso isto implica, automaticamente, em estar a favor de Satanás.
No mundo espiritual, a famosa e
popular expressão: “em cima do muro” que denota indecisão, indiferença ou
neutralidade, não encontra paralelo. Invariavelmente, todos os homens, acabam
se posicionando, de forma positiva e consciente ajuntando com Cristo,
vinculando-se a Ele, ou de forma negativa, consciente ou inconscientemente,
espalhando - dispersando-se de uma relação com Ele. Não se engane a indiferença
espiritual, além de não imunizar dos efeitos negativos do mundo espiritual,
apenas ratifica o posicionamento contrário a Cristo e ao Seu reino.
Questionário
1.Qual é a definição de
religiosidade?
2. Cite e escreva o texto
bíblico que não admite o neutralismo espiritual.
3. Mencione as 7 características do perfil das religiões
4. Quais as consequências da
indiferença espiritual?
5. Mencione os três aspectos
marcantes da mornidão (religiosidade) da igreja de Laodicéia.
6. Leia os capítulos de 1 a 3
do evangelho de Marcos.
7. Memorização da Palavra
“Eis que estou à porta e
bato se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa e cearei
com ele, e ele comigo”. (Ap 3:20)
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