domingo, 1 de junho de 2014



 Série: Evangelho


 Título: Recebendo o Evangelho

  Volume 2


@ Lição 1 - Desmistificando a Religiosidade e o Neutralismo Espiritual               
A experiência provê a dolorosa prova de que as tradições, uma vez  engendradas, são  primeiramente tidas como úteis, depois consideradas necessárias, até finalmente serem transformadas em ídolos. Todos têm que se curvar diante delas ou haverá punição.” - J.C. Ryle


1. Introdução

Abrimos este volume com esta  lição, justamente, porque pretendemos considerar alguns empecilhos à  verdadeira recepção ao Evangelho de Cristo. Nesta lição, destacamos: a religiosidade e o neutralismo espiritual. Queremos com isto desmistificar, remover o engano que, sutilmente, permeia a religiosidade e o neutralismo espiritual. Ambos supõem, respectivamente, adesão e isenção. Mas, na realidade, veremos  que não são suficientes para eximirem os homens de uma tomada de decisão real e séria sobre a recepção ou não do evangelho do Senhor Jesus.
Esta lição e volume vêm, portanto, convidar você leitor/estudante a uma reflexão sincera e honesta, sobre a sua possível posição religiosa ou pretensa neutralidade espiritual, para que de forma franca você  possa   decidir-se pela verdadeira recepção ao evangelho de Cristo.

2. Religiosidade

A religiosidade pode ser entendida como um sentimento ou disposição favorável à religião ou  ainda, como algum tipo de envolvimento com ela.
Essa religiosidade leva o indivíduo a ter algum apreço pelo ensino, tradição e liturgia, praticada no contexto da religião com que teve ou tem contato.
Há indivíduos que nasceram ou cresceram num ambiente familiar notadamente religioso de cunho cristão ou não, e que acabaram absorvendo a tradição religiosa da família. Outros, posteriormente, tornaram-se adeptos de religiões cristãs ou não. O fato é que a religiosidade ou a religião em si, não assegura uma realidade de vida espiritual, sintonizada com Deus e Seu Filho. 
Observe que em Mt 12.22-32, os interlocutores diretos do Senhor Jesus foram os fariseus, membros da principal seita religiosa daqueles dias.
Eles aferraram-se ao rigor das suas doutrinas, tradições e rituais, de tal forma, que ficaram entorpecidos e não se posicionaram a favor de Cristo. Na verdade, eles foram opositores ferrenhos  do Senhor Jesus e protago-nistas do mais grave pecado: a blasfêmia contra o Espírito Santo. Perderam a oportunidade de receberem o Reino de Deus e reconhecerem que Jesus era o agente deste reino pela operação do Espírito de Deus. O texto de João 9:16 reforça a visão equivocada dos fariseus sobre a pessoa do Senhor Jesus, a partir da ótica religiosa que possuíam.
Convém, destacar que frequentemente, as religiões são mais opositoras do que aliadas do Senhor.
O conjunto doutrinário das religiões contempla muito ensino e prática, resultante de pensamentos e tradições humanas, que na essência está destituída do verdadeiro Espírito de Cristo.
  
2.1 O Perfil das Religiões
Em linhas gerais, podemos identificar, no texto de Marcos 7: 1-23, sete características prevalecentes na constituição da religião farisaica e que de modo geral é comum às religiões, independentemente, da origem, credo ou ritual, são elas:

1. Tradição Humana (hipervalorização do legado humano) – versos 3, 5, 8, 9b, 13a ;
2. Observâncias exteriores (usos e costumes) verso 4;
Costume sem verdade é erro envelhecido”.  - Tertuliano.

3. Honraria teórica e verbal (falácia)- verso 6;
4. Coração longe do Senhor; (superficialidade espiritual) – verso 6b;
5. Adoração vã, destituída de conteúdo – verso 7a;
6. Doutrinamento humano (ensinamento falso/distorção doutrinária) – versos 7b; 11, 12 e 13b
7. Desobediência à palavra de Deus – verso 8a, 9a; 10,13a
Estas características evidenciam um distanciamento enorme entre  a reli-gião/religiosidade e a verdadeira recepção ao evangelho do Senhor Jesus.
Observe, agora, que o texto de Ap 3:15-16: “Conheço as tuas obras, que nem és frio nem quente. Quem dera fosses frio ou quente!”
“Assim, porque és morno e nem és quente ou frio, estou a ponto de vomitar-te da minha boca”, sintetiza bem a religiosidade manifestada pela igreja de Laodicéia, que resultou numa contundente insatisfação e  desaprovação  do Senhor Jesus: “estou a ponto de vomitar-te da minha boca.“ A mornidão, refere-se a religiosidade, que na realidade foi evidenciada, pelas obras (verso 15a), pelo sentimento de auto-suficiência, (verso 17a), e ausência de comunhão pessoal com Cristo (verso 20), isto revela uma vida desassociada de uma relação íntima com o Senhor.
Este último aspecto é salientado por Jesus da seguinte forma: “Eis que estou à porta e bato se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa e cearei com ele, e ele comigo”. Neste texto, observamos que o Senhor Jesus, indica  que está excluído da comunhão pessoal e real, com os membros da igreja de Laodicéia. Ele encontra-se no lado de fora, separado, apartado da intimidade da igreja. Por isso, Ele se apresenta para buscar com aqueles que o ouvirem e se abrirem para recebê-lo, uma comunhão íntima. Para isto, Ele espera ser recepcionado com sinceridade, sem reservas, por uma disposição genuína de abertura e comprometimento com Ele e Seu reino.

Nas lições, seguintes, veremos como poderemos nos abrir, efetivamente, para recebê-lo e vivenciar uma realidade de vida em comunhão com Cristo. 
3. O Neutralismo Espiritual
Há uma corrente de pensamento humanista que acredita num possível posicionamento de neutralidade em relação às coisas espirituais. Para essa linha de pensamento a neutralidade, pretensamente, os  isenta das influências e dos prováveis efeitos espirituais. Observe, no entanto, que o próprio Senhor Jesus exige um posicionamento definido dos homens: conhecendo e abraçando-o ou ignorando e rejeitando-o. A seguinte  citação do Senhor Jesus: “Quem não é por mim é contra mim; e quem comigo não ajunta espalha”. (Mt 12:30), deixa evidente que Ele não considera a neutralidade detonando, desta forma, o frágil fundamento do neutralismo espiritual.
A referida afirmação do Senhor Jesus foi feita num contexto de esclarecimento da existência de dois reinos: o reino de Deus e o reino de Satanás (Mt 12:22-32 e Lc 11:14-23).Veja que Ele deixa  claro que os homens têm apenas duas opções: ser por Ele, recebê-lo, aceitá-lo ou estar contra Ele, e neste último caso isto implica, automaticamente, em estar a favor de Satanás.
No mundo espiritual, a famosa e popular expressão: “em cima do muro” que denota indecisão, indiferença ou neutralidade, não encontra paralelo. Invariavelmente, todos os homens, acabam se posicionando, de forma positiva e consciente ajuntando com Cristo, vinculando-se a Ele, ou de forma negativa, consciente ou inconscientemente, espalhando - dispersando-se de uma relação com Ele. Não se engane a indiferença espiritual, além de não imunizar dos efeitos negativos do mundo espiritual, apenas ratifica o posicionamento contrário a Cristo e ao Seu reino.

Questionário

1.Qual é a definição de religiosidade?





2. Cite e escreva o texto bíblico que não admite o neutralismo espiritual.





3. Mencione as 7 características do perfil das religiões




4. Quais as consequências da indiferença espiritual?



5. Mencione os três aspectos marcantes da mornidão (religiosidade) da igreja de Laodicéia.





6. Leia os capítulos de 1 a 3 do evangelho de Marcos.



7. Memorização da Palavra

“Eis que estou à porta e bato se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa e cearei com ele, e ele comigo”. (Ap 3:20)


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